Eataly

Apesar de incluir este post sobre o Eataly na categoria “restaurantes”, tenho sérias dúvidas sobre a pertinência desta alocação. Para mim o Eataly é muito mais do que restaurante. É um verdadeiro parque de diversões para adultos interessados em gastronomia. É a Disneylandia gourmet!

Excluindo os pequenos negócios que estão revolucionando o mundo da gastronomia, como a comida molecular (já era?), comida de rua (só agora virando coisa séria no Brasil), ingredientes brasileiros, orgânicos, locais, sucos verdes e um monte de outras coisas que a gente vê surgir todos os dias, os únicos players que estão conseguindo revolucionar a gastronomia em escala realmente global são 2: o Eataly e o Wholefoods.

Sobre o Whole Foods falarei em outra ocasião. O Eataly me emociona! Eu acompanho sua trajetória desde 2007, quando Oscar (se pronuncia Óscar) Farinetti fez um acordo com o prefeito de Turim para assumir uma antiga fábrica abandonada daquela bebida horrível chamada Carpano, localizada no centro da cidade. Oscar tinha acabado de vender sua cadeia de lojas de eletroeletrônicos chamada Unieuro para um grupo inglês, tinha 400 milhões de euros no bolso, bastante energia aos 50 e poucos anos e um sonho: fazer com que os milhares de produtores orgânicos da Itália, que produziam coisas maravilhosas em seus pequenos sítios, pequenos vinhedos, pequenas criações de peixe, pequenas fábricas de massa – enfim, você pescou a ideia – tivessem uma maneira de escoar esta produção, fazer com que seus produtos chegassem ao consumidor.

Mas a ideia de Oscar era muito mais ousada do que criar uma espécie de supermercado orgânico onde os fornecedores, pequenos produtores, poderiam encontrar os consumidores, ávidos compradores de produtos sustentáveis. Oscar sempre foi um apaixonado por gastronomia e por vinhos. Nasceu na região do Piemonte, na pequena cidade de Alba, a terra das trufas negras e do Barolo. É amigo de infância, tipo BFF, de Carlo Petrini, o fundador do movimento Slow Food, sobre o qual falarei também em outra ocasião.

Oscar planejou, dentro da antiga fábrica, uma zona de “barracas” de mercado onde os produtores estariam ali, fazendo eles mesmos a propaganda de seus produtos, contando suas histórias. Mas ele queria ir além deste encontro entre fornecedores e compradores. Queria que as pessoas pudessem degustar, no mesmo local, receitas feitas com estes produtos. Desenvolveu então outra zona onde instalou restaurantes, cada um “tematizado” com uma categoria de produtos. Carnes, peixes, legumes, pizzas,  massas, queijos e frios, sorvetes, de modo que os clientes pudessem não só levar os produtos para casa mas também degustá-los ali mesmo, preparados segundo as melhores técnicas culinárias, à vista do público.

Mas Oscar queria mais. A fábrica era muito grande, tinha 11 mil metros quadrados, e sua cabeça “pipocava” de ideias. Queria que as pessoas tivessem a possibilidade de aprender a preparar sua própria comida, fossem treinados a apreciar um bom vinho. Criou então um centro de treinamento no mezzanino da fábrica, com uma cozinha experimental e uma grade de cursos e eventos para todos os gostos.

Mas as pessoas estão ficando enlouquecidas com o assunto gastronomia, elas querem ler sobre isso, comprar utensílios. OK – disse Oscar. Criemos então uma pequena livraria e uma pequena loja de utensílios e equipamentos culinários. Foi ali que comprei a fatiadora Berkel, o grande orgulho da minha cozinha…Enfim, o arquiteto ia ficando irriquieto, o espaço da antiga fábrica ia sendo preenchido, os 11 mil metros se encolhendo.

Você acha que o Oscar parou por aí? Não, ele nasceu na terra do Barolo, do Barbaresco e do Barbera. Ali vinho não é bebida, é religião.  – Ok, façamos uma super adega, com os melhores vinhos da região, no subsolo, onde já temos as paredes grossas da antiga fábrica. Ali é possível degustar um cálice de Asti DOCG acompanhado de uma porção de anchovas de Cetara. Se você ainda não conhece as anchovas de Cetara, dá uma olhada no vídeo que eu fiz sobre uma viagem à Costa Amalfitana.

Voltando ao irrequieto Oscar… tendo conseguido a concessão da prefeitura, tendo transformado a velha fábrica neste, como chamaremos? complexo enogastronômico, e sendo ele uma pessoa do bem (e rica), se propôs a fazer no sótão um museu dedicado à antiga fábrica Carpano, vermute-símbolo do Piemonte, ingrediente básico do famoso drinque Negroni. Inaugurado o Eataly Torino, o sucesso foi imediato. Lotado desde o primeiro dia. 30 mil euros por dia de faturamento. Os velhinhos tinham desconto no pão fresco e podiam fazer os cursos de graça. Você pode entrar lá e degustar um culatello sem comprar mais nada. Ou simplesmente passar o dia aprendendo coisas novas, folheando livros, lendo o descritivo dos ingredientes, suas origens. Sim, a comunicação visual do Eataly é um capítulo à parte. As fotos e os descritivos dos itens à venda já são objeto de estudos de caso em escolas de marketing.

Mas e o Oscar? Ficou no caixa recebendo os cumprimentos? Não ele. Começou a chover pedidos de várias partes do mundo, de interessados em levar o Eataly e seu novo conceito  de experiência enogastronômica para toda parte. E foi o que ele fez. Abriu um monte deles no Japão, um monte deles na Itália, inclusive um de 16.000 metros quadrados em Roma e em agosto de 2010 abriu o primeiro Eataly dos EUA, em NYC, a mega gastronômica mundial, em parceria com o renomado chef Mario Batali e Joe e Lidia Bastianich, personagens importantes do cenário gastronômico americano, todos com profundas raízes italianas.

Em Dez 2013 o grupo abriu o Eataly de Chicago, na Ohio St, de onde eu tirei as fotos deste post. Estava com um grupo de amigas (sim, todas mulheres, e daí, eu NÃO SOU GAY..rs), o dia estava lindo e resolvemos comprar um monte de coisas no Eataly e fazer um pic nic no parque (existe coisa mais gay??). Enfim, compramos um carrinho cheio de iguarias maravilhosas, colocamos nas sacolas e…começou a cair o maior pé d’água. Papo vai, papo vem, com a gerente, expliquei a situação para ela, do pic nic com as amigas  (cada vez mais, eu sei..), da chuva, ela diz que nunca tinha rolado esta situação, que o que você compra no Eataly não pode ser consumido ali dentro, afinal eles tem os restaurantes para isso, etc, etc. Consegui convencê-la a me arrumar uma mesa e fazer o pic nic ali dentro mesmo. Vejam a foto  do “estrago” que fizemos.

Vida longa ao Farinetti!!!!

Pic Nic Interno
Pic Nic Interno
2014-05-20 22.50.00
Café
2014-05-20 22.48.27
Cozinha Experimental
2014-05-20 22.48.19
Sala de Treinamento

2014-05-20 22.49.41 2014-05-20 22.49.51 2014-05-20 22.49.34 2014-05-20 22.49.19 2014-05-20 22.49.13 2014-05-20 22.48.56 2014-05-20 22.48.50 2014-05-20 22.48.37

1 comentário Adicione o seu

  1. ivmaglio disse:

    Conheci o de Nova York em 2013 . Além dos 4 a andares de coisas para gourmets, vinhos e livros de gastrônomia, no terraço pode-se degustar as cervejas Peroni e outras marcas italianas, com os melhores queijos da Italia. É demais!

    1. marcelopoliti disse:

      Eu sou muito fã. E dizem que em 2015 estará em SP!

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