Couvert polêmico

Chegamos no restaurante, minha filha não queria a salada que já está incluída no preço do prato único mas queria um couvert. Achei justo. Eu e minha esposa não queríamos o couvert porque já viria a salada, a carne com as fritas e ainda estávamos considerando também uma sobremesa. O couvert seria muito “over”.

O garçon trouxe o couvert da minha filha e foi logo avisando que era só para a menina porque só ela havia pedido o couvert. Aí começou a esquisitice. Eu e minha esposa ficamos olhando para o pãozinho e a manteiga e nao podíamos pegar nem um pedaçinho, enquanto nossa salada não chegava.

A menina comeu um pedaço do pão com a manteiga e sobrou quase o couvert todo na cestinha. Mas tocá-lo significaria que teríamos que pagar, cada um, o seu couvert. Mas não fazia sentido pagar pelo couvert, uma vez que a vontade era só de dar um “peguinha” no pão. Aquele que estava sobrando, de qualquer maneira. Ficamos ali olhando os pãezinhos, pensando que eles seriam jogados fora. E nós não podíamos tocá-los.

Não aguentando mais aquela situação, em um momento de distração do garçon e de fraqueza minha, coloquei rapidamente um pedaçinho de pão na boca , rezando para que o garçon não me fizesse nenhuma pergunta e percebesse que eu escondia um pedaço de pão na boca. Minha esposa, “que só atravessa na faixa”, me deu a maior bronca pela contravenção. O pedacinho de pão ficou entalado. Chegaram as bebidas, eu não pude nem dizer “obrigado” para não dar bandeira, e virei um golão para ajudar a descer o pedacinho de pão.

Só de indignação, me deu vontade de pedir a salada da minha filha, que já estava incluída no preço do prato principal, mandar embalar para viagem e dar para o primeiro mendigo que achasse pela frente. Mas estava no Shopping Cidade Jardim e e logo imaginei que se quisesse achar um mendigo teria que sair dali e procura-lo pela cidade, talvez bem longe dali. Desisti rapidamente da ideia.

O garçon, sentindo meu desconforto, ainda me perguntou se eu queria a salada da minha filha, além da minha, já que já estava incluída no preço. Eu disse que não, que se eu pudesse somente passar uma facada de manteiga em um pedacinho de pão sem ter que me sentir o Toni Ramos na novela das 9h, já estaria contente – na verdade eu só pensei, não falei. Recusei a salada “extra” e fiquei pensando nesta fórmula de cobrança do couvert.

Porque simplesmente não cobram pelo que trazem na cestinha, independente de quem irá consumir? Como qualquer outro prato do cardápio? E cada um faz o que quiser com aquilo que pagou, sem ter que se sentir um larápio.

Se algum dono de restaurante quiser voluntariar uma resposta, fique à vontade. Senão #ficaadica.

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