Catering em Eventos

Olhando pela perspectiva da Venue – vamos nos referir ao espaço onde qualquer evento é realizado como “Venue”, para efeito de nomenclatura, e como “Catering” qualquer serviço de alimentação e bebidas servido no evento – a função “Catering” de um evento raramente é tratada com a importância que lhe seria devida.

O problema geralmente começa com os arquitetos, que nunca chamam um operador para lhes dizer quais as necessidades operacionais de um centro de eventos. O resultado pode ser um salão que comporta 500 pessoas e uma copa de 20 m2 com pé direito baixo, sem exaustão, sem ralo e muitas vezes sem ponto de água. Sim, acredite, já vimos isso!

Assim como muitos arquitetos, muitos dos donos das venues tampouco dão a devida importância à função de catering. Eles tem uma visão “imobiliária” da venue. X metros quadrados de salões devem render Y de locação no final do mês e este número será comparado com a rentabilidade dos andares de escritório. No final do mês, ele vai perceber que esta conta é ingrata, quando na verdade esta é uma conta que não deveria ser feita.

Ora, o objetivo do centro de eventos que é localizado dentro de um condomínio corporativo é, desde a concepção do projeto, valorizar o empreendimento, diferenciá-lo dos lançamentos concorrentes, propiciar aos ocupantes um local que os faça olhar com bons olhos uma eventual mudança de endereço. Afinal, um centro de eventos possibilita às empresas realizarem seus eventos sem que toda a tropa tenha que se dirigir à um hotel.

A idéia original é muito sensata. Só que uma vez concluída a obra, o incorporador tendo vendido (ou alugado) todas as lajes, é hora da inauguração do complexo. Pois bem, quem irá operar o centro de eventos? Afinal, é um ativo que deve valer alguns milhões, pelo menos segundo o critério de metros quadrados construídos multiplicados pelo preço do metro quadrado. Deve haver muitos interessados na gestão deste ativo, certo? Uhm, meia verdade. A resposta a esta pergunta depende de algumas perguntas.

A venue está “vestida”, com acabamento, carpete, ar condicionado, etc, ou está no “osso”. O operador que tiver que “vestir” um venue, investindo seus recursos, para depois locar os espaços para as empresas e pagar o aluguel ao proprietário (ou ao condomínio), muito provavelmente chegará à conclusão de que a conta não fecha. Esta conta é muito simples de ser feita. Basta multiplicar o preço do metro quadrado de locação diária para eventos pelo numero de dias locáveis (úteis) do ano e usar uma taxa de ocupação média do setor para chegar à sua estimativa de receita. E daí deduzir os custos de ocupação do imóvel e suas próprias despesas operacionais, como folha, impostos, etc.

Por qualquer ângulo que se olhe, esta conta dificilmente fecha, do ponto de vista do operador. Com uma exceção: quando o operador do centro de eventos é também um operador qualificado de alimentos e bebidas. Neste caso, mesmo que a conta das locações não feche, quando se inclui na conta a margem dos serviços de A&B (alimentos e bebidas), aí sim, o operador pode se mostrar interessado.

Só que para que isto aconteça, é necessário que o operador de A&B consiga “dar conta do recado”, ou seja, tenha condições físicas de produzir e vender. Mas o que geralmente ocorre é que na concepção do projeto, ninguém se deu conta, nem o arquiteto nem o incorporador, que a função A&B é um dos principais fatores para o sucesso de uma conferência. E que para realizar bem este serviço, o operador tem que, obviamente, ser excelente naquele serviço que se propõe a executar, mas sobretudo, ter condições físicas de fazê-lo.

Marcelo Politi é sócio fundador da Nove Eventos, empresa pioneira na gestão de centros de eventos localizados dentro de grandes condomínio corporativos.

www.noveeventos.com.br

marcelo.politi@noveeventos.com.br

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.